
O problema começa em sala de aula. Excesso de trabalho, indisciplina dos alunos, violência, salários baixos e demandas de pais de alunos, desgaste físico e, principalmente, a falta de reconhecimento de sua atividade são algumas das causas de estresse, ansiedade e depressão que vêm acometendo os docentes brasileiros. Segundo pesquisa realizada em âmbito nacional pela Universidade de Brasília (UNB), 48% dos professores apresentam algum sintoma de estresse, os mais jovens são os que têm mais dificuldade para lidar com os problemas da profissão, por isso muitos optam por abandonar o ofício.
O tratamento depende muito do grau de desgaste, a pessoa pode passar somente por psicoterapia - tratamento de transtornos psíquicos, ser medicada temporariamente com ansiolítico ou antidepressivo e, às vezes, tem de ser deslocada para uma função burocrática ou passar a trabalhar com outros tipos de alunos. Para Gurgel a área de atuação do professor sem dúvida é muito estressante, mas não significa que seja o indivíduo o estressado. “Para eu não ficar doente ou acabar sendo afastado da profissão procuro saber lhe dar com prazos e é importante gostar do que se faz para se sentir recompensando e não sofrer com a pressão” ensina o professor. Com uma abordagem menos voltada para a idéia de síndrome trabalhista, a professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB), Sandra de Almeida, avisa que o professor se apresenta com uma expressão de grande sofrimento psíquico e um mal-estar visível. Ela baseia suas afirmações em pesquisas realizadas com docentes na complementação pedagógica para professores do magistério no Distrito Federal, dos quais "cerca de 20% têm licenças médicas motivadas por estresse". Isso tem como conseqüência o absenteísmo, ou seja, os professores faltam muito. "Eles fazem pedidos de transferência para secretaria, fazem de tudo para não estarem presentes em sala de aula", relata. "Quando nada mais funciona, utilizam o recurso da licença médica”.
De acordo com a pesquisa realizada pela UnB, o professor, mesmo com todos os problemas que enfrenta, ainda pertence a uma categoria que apresenta índices de satisfação profissional próximos de 90%. “O segredo é se concentrar em tudo que se faz, seja na diversão, no relaxamento, ou no trabalho, assim aprendemos a lidar com as cobranças, jogando com o tempo para sobreviver ao processo”, concluiu Gurgel.
Fonte: REVISTA EDUCAÇÃO - EDIÇÃO 119, disponível em: http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=12081.
E não perca o bate-papo com o psicólogo Marcos Aquino juntamente com o professor Edidácio Araújo, nesta quarta-feira.
Enquete:
NOME: Rozimere do N. RodriguesIDADE: 47 anosSEXO: femininoPROFISSÃO: Funcionária Pública ( X ) Sim. Nem sempre os alunos estão preparados para entender e respeitar os professores. A pressão de ter que ensinar bem os alunos os deixa estressados.
2. Que fatores mais influenciam no desconforto de lecionar, caso o professor esteja sofrendo de stress? Justifique brevemente.NOME: Willian RodriguesIDADE: 21anosSEXO: MasculinoPROFISSÃO: Estudante de Publicidade( ) barulho excessivo dos alunos ( ) desorganização em sala de aula ( ) desobediência e falta de educação dos estudantes ( x) outro falta de organização por parte das coordenações da escola. o professor, como qualquer profissional, necessita de pelo menos o mínimo disponivel para suas aulas e cabe à direção de cada escola/colegio/faculdade providenciar isso. quanto à organização/barulho e desobediência, cabe ao próprio profissional "ganhar" a turma.
NOME: Thaiene MirandaIDADE: 21anosSEXO: femininoPROFISSÃO: Assistente Jurídico( x ) desorganização em sala de aula Existem muitos professores que não conseguem administrar bem uma turma e os alunos não são bem educados para entender o processo de aprendizagem.
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