domingo, 31 de maio de 2009

Professores em alerta

Pesquisa revela que 48% dos professores apresentam algum sintoma de estresse



O problema começa em sala de aula. Excesso de trabalho, indisciplina dos alunos, violência, salários baixos e demandas de pais de alunos, desgaste físico e, principalmente, a falta de reconhecimento de sua atividade são algumas das causas de estresse, ansiedade e depressão que vêm acometendo os docentes brasileiros. Segundo pesquisa realizada em âmbito nacional pela Universidade de Brasília (UNB), 48% dos professores apresentam algum sintoma de estresse, os mais jovens são os que têm mais dificuldade para lidar com os problemas da profissão, por isso muitos optam por abandonar o ofício.

De acordo com especialistas os professores estão sendo vítimas da síndrome de burnout, a síndrome do esgotamento profissional. O nome vem da expressão em inglês to burn out, ou seja, queimar completamente, consumir-se. Um dado interessante revela que muito dos problemas adquiridos pelos professores é devido à falta de cuidados preventivos, pois somente 28% dos professores realizam os exames médicos periódicos previstos na legislação, referência à Norma Regulamentadora 7, do Ministério do Trabalho, que trata das obrigações do contratante na “promoção e preservação da saúde do conjunto de seus trabalhadores”. Pela norma, a periodicidade mínima para os exames médicos é de dois anos. Mas, dependendo do risco inerente à profissão, ela pode ser menor do que anual. O professor e engenheiro mecânico da UNB, Carlos Gurgel, relata que por trabalhar em uma grande universidade pública ele é cobrado de várias formas. “Além de ensinar, de trabalhar fora do horário de trabalho para produzir aulas dinâmicas eu preciso apresentar uma contribuição administrativa com novas idéias para a universidade”, desabafa.



São muitas as doenças que acometem o educador e o levam até a se afastar das salas de aula. No convívio com os desafios da profissão, como o atrito diário com alunos-problema, surgem transtornos mentais, doenças do sistema osteomuscular, do aparelho respiratório, doenças do aparelho fonador que levam aos distúrbios de voz, comuns entre professores, e do aparelho circulatório, principal causa de mortes entre a população em geral.

A Unesco fez, em 2002, uma grande pesquisa sobre o perfil do professor brasileiro. Em uma das questões sobre a percepção que tinham do próprio trabalho e os prováveis motivo de estresse, 54,8% afirmaram ser um problema manter a disciplina em sala de aula; 51,9% mencionaram as características sociais dos alunos; e 44,8%, a relação com os pais. Outros pontos críticos estão relacionados com o volume de trabalho e a falta de tempo para preparar aulas e corrigir avaliações. De todo modo, as questões que envolvem relações humanas, que são a essência da educação, demonstram ser obstáculos difíceis para os professores.
O tratamento depende muito do grau de desgaste, a pessoa pode passar somente por psicoterapia - tratamento de transtornos psíquicos, ser medicada temporariamente com ansiolítico ou antidepressivo e, às vezes, tem de ser deslocada para uma função burocrática ou passar a trabalhar com outros tipos de alunos. Para Gurgel a área de atuação do professor sem dúvida é muito estressante, mas não significa que seja o indivíduo o estressado. “Para eu não ficar doente ou acabar sendo afastado da profissão procuro saber lhe dar com prazos e é importante gostar do que se faz para se sentir recompensando e não sofrer com a pressão” ensina o professor.

Veja mais:


Tire suas dúvidas sobre o estress com o psicólogo Marcos Aquino.

Com uma abordagem menos voltada para a idéia de síndrome trabalhista, a professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB), Sandra de Almeida, avisa que o professor se apresenta com uma expressão de grande sofrimento psíquico e um mal-estar visível. Ela baseia suas afirmações em pesquisas realizadas com docentes na complementação pedagógica para professores do magistério no Distrito Federal, dos quais "cerca de 20% têm licenças médicas motivadas por estresse". Isso tem como conseqüência o absenteísmo, ou seja, os professores faltam muito. "Eles fazem pedidos de transferência para secretaria, fazem de tudo para não estarem presentes em sala de aula", relata. "Quando nada mais funciona, utilizam o recurso da licença médica”.

De acordo com a pesquisa realizada pela UnB, o professor, mesmo com todos os problemas que enfrenta, ainda pertence a uma categoria que apresenta índices de satisfação profissional próximos de 90%. “O segredo é se concentrar em tudo que se faz, seja na diversão, no relaxamento, ou no trabalho, assim aprendemos a lidar com as cobranças, jogando com o tempo para sobreviver ao processo”, concluiu Gurgel.


Fonte:
REVISTA EDUCAÇÃO - EDIÇÃO 119, disponível em: http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=12081.

E não perca o bate-papo com o psicólogo Marcos Aquino juntamente com o professor Edidácio Araújo, nesta quarta-feira.

Enquete:

1. Você acha que a profissão de educador(professor) é mais estressante do que as demais profissões? Justifique brevemente.
NOME: Gustavo Araújo de AlcântaraIDADE: 28 anosSEXO: masculinoPROFISSÃO: Assistente Administrativo ( x ) Não. É preciso ter um pouco de paciencia com alguns dos alunos, pois cada pessoa pode ter certa dificuldade com o modo de ensino e não se adaptar ao método. O estress pode vir por outros meios como jornada dupla de trabalho, acumulo de funções e outros.
NOME: Rozimere do N. RodriguesIDADE: 47 anosSEXO: femininoPROFISSÃO: Funcionária Pública ( X ) Sim. Nem sempre os alunos estão preparados para entender e respeitar os professores. A pressão de ter que ensinar bem os alunos os deixa estressados.

2. Que fatores mais influenciam no desconforto de lecionar, caso o professor esteja sofrendo de stress? Justifique brevemente.NOME: Willian RodriguesIDADE: 21anosSEXO: MasculinoPROFISSÃO: Estudante de Publicidade( ) barulho excessivo dos alunos ( ) desorganização em sala de aula ( ) desobediência e falta de educação dos estudantes ( x) outro falta de organização por parte das coordenações da escola. o professor, como qualquer profissional, necessita de pelo menos o mínimo disponivel para suas aulas e cabe à direção de cada escola/colegio/faculdade providenciar isso. quanto à organização/barulho e desobediência, cabe ao próprio profissional "ganhar" a turma.
NOME: Thaiene MirandaIDADE: 21anosSEXO: femininoPROFISSÃO: Assistente Jurídico( x ) desorganização em sala de aula Existem muitos professores que não conseguem administrar bem uma turma e os alunos não são bem educados para entender o processo de aprendizagem.


Participe e dê sua opinião no blog da Michelle Souza:

http://blogdamichellesouza.blogspot.com/

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Reportagens Multimídia: Interessante ao leitor.


As três principais Reportagens Multimídias mais recentes para você leitor conferir. Nelas trazem recursos, como textos, vídeos, fotos entre outras ferramentas que podem ser de grande ajudar para que entendam melhor cada reportagem. Apreciem mais um trabalho do Blog da Michelle Souza, trazendo informação a todos vocês.

1 – Essa matéria é uma das mais recentes Multimídia que traz informações da gripe suína, o que anda acontecendo com os mexicanos em outro país, como a China, nela poderá também tirar todas as dúvidas em relação a essa doença e explicar melhor a situação agora no México.

2 - Essa reportagem traz tudo sobre fórmula 1, as últimas notícias sobre o que rola nas pitas e nos bastidores, com muitas fotos, vídeos e matérias quentes para quem curte esse esporte.

3 - Tudo sobre a história das Coréias: época da Guerra Fria, a capitalista República da Coréia, a comunista República Popular Democrática da Coréia. Assuntos sobre a corrida nuclear norte-coreana e a posição dos EUA com o compromisso com seus aliados Coreanos do Sul e Japão no caso de uma ameaça nuclear da Coréia do Norte.


Tenham boa leitura, divirtam – se com os vídeos e tirem suas dúvidas em cada notícia diversificada acima.

Michelle Souza

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Município Santos Dumont: antes pacato, hoje irregular

Localizado na zona da mata do estado de Minas Gerais, o município de Santos Dumont fica a 240 quilômetros da capital Belo Horizonte e até o início dos anos 90, era considerado como um local pacato, de baixa densidade demográfica e atividade econômica baseada em pequenas indústrias, produção de laticínios, comércio e pecuária. A proximidade com Juiz de Fora, município de grande porte na divisa dos estados de Minas e Rio de Janeiro, vem alterando sensivelmente, no entanto, as características de Santos Dumont nos últimos anos.

Santos Dumont se transformou em opção de residência para muitos dos trabalhadores que chegam à região em busca de trabalho, aumentando a população da cidade de 180 mil para 350 mil em apenas 15 anos. Por tratar-se de famílias com renda superior à registrada tradicionalmente no município (cerca de 130% maior), verificou-se também uma forte expansão no número de veículos “per capta” (70%) e em conseqüência, o surgimento de congestionamentos constantes, além de uma diminuição da demanda do transporte público coletivo fornecido pela Companhia Pública de Ônibus (CPO). A redução da demanda, por sua vez, gerou queda na qualidade do serviço prestado e está provocando a procura, cada vez mais freqüente, de meios alternativos de transporte.

Diante das cada vez mais intensas reclamações dos usuários do sistema de transporte público e do aumento da procura por meios alternativos, a CPO elaborou um diagnóstico sobre a realidade verificada e concluiu que a demanda por transporte na cidade ainda é muito significativa (cerca de 250 mil passageiros transportados diariamente), mas que sua frota está velha (400 veículos com mais de 7 anos) e sem manutenção adequada. Constatou ainda, que as tarifas aplicadas cobrem apenas 75% dos custos operacionais da empresa.

Com relação à qualidade do serviço prestado, o diagnóstico realizado pela CPO identificou que os passageiros reclamam da falta de cortesia dos motoristas e, principalmente, da falta de cuidado com que os ônibus são conduzidos (alta velocidade, ultrapassagens perigosas, paradas distante dos pontos e outros). Por outro lado, o Sindicato dos Motoristas afirma que os salários são extremamente baixos; que a jornada de trabalho é muito longa; que os veículos estão em péssimo estado de conservação; e que os caminhos a serem percorridos são de difícil acesso e não oferecem condições adequadas.

As ruas de Santos Dumont, especialmente nos bairros mais afastados, são realmente complicadas. Seu traçado é tortuoso, há pouca sinalização e o estado do asfalto (quando há) não pode ser considerado nem mesmo regular. Responsável pela manutenção das ruas, o Departamento de Obras Pública (DOPM) alega, no entanto, que seu orçamento anual é insuficiente para manter o bom estado das ruas já existentes ou para construir novas vias de acesso mais rápidas e melhores para os bairros mais afastados.

Uma das alternativas sugeridas para aumentar a qualidade do serviço de transporte público oferecido e, conseqüentemente, reduzir os congestionamentos e a procura por meios alternativos de transporte, é o aumento das tarifas. A sugestão, no entanto, já foi vetada pela prefeita da cidade que não admite discutir o assunto enquanto a CPO não passar a oferecer um serviço de qualidade minimamente aceitável.


Saiba mais


O Adensamento das favelas

Rua do Capão Raso passa a ter mão única